Resultado de imagem para rua da minha infancia

fonte: google imagens 26 out 2018

"Parecia um sonho, hoje são apenas lembranças da rua em que vivi a minha bela e feliz infância. Amarelinha, esconde esconde, sete pedras ou as conversas até o anoitecer, a rua ainda existe mas o que era bom, ahh...vive no passado a se esconder!"
                                                                                          Alexsandra Santos

Esse blog vem com a intenção de trazer informações pesquisadas sobre a rua onde cresci e faz parte da história de muitas pessoas que moraram ou ainda moram no bairro. Hoje como estudante de Pedagogia da Universidade do Estado da Bahia, cursando a disciplina Referenciais Teórico-metodológicos do Ensino de História no Ensino Fundamental, sob a orientação do Professor Alfredo Eurico Rodrigues Matta, tenho a oportunidade de trazer um pouco da história da rua onze de novembro, inserida no bairro de Santa cruz e também do Nordeste de Amaralina que tem uma importância histórica e cultural na vida de cada morador.




Contexto histórico



Salvador é hoje conhecida em diversas partes do mundo por sua riqueza cultural, suas praias e pela beleza de seu povo acolhedor, mas o que muitos desconhecem é que esse ambiente já teve seu destaque e sua grande importância no contexto histórico a nível mundial. Três fatores nos explicam os motivos deste destaque, o primeiro nos lembra de que no período colonial, ainda era desconhecida a corrente marítima que fazia com que muitos navios desviassem de seus destinos fazendo com que chegassem até a nossa costa litorânea. O segundo motivo é que Salvador foi a primeira capital e entre os anos de 1549 e  1763 era uma região que estava sendo submetida a uma grande extração de pau Brasil bem como era a principal produtora de cana-de açúcar do país, desse modo era a região com grande poder de decisão na época.O terceiro motivo vem do fato de que era uma região que chegou ao auge da economia açucareira, tornando se o maior centro produtor de açúcar e possuía uma posição estratégica contribuindo para o crescimento econômico da cidade juntamente com o crescimento populacional e sua expansão.

Memórias do Nordeste de Amaralina

Para dar inicio a história da rua de minha infância precisamos entender um pouco sobre a estrada da Federação que era uma região que se constituía em uma grande fazenda que iniciava na rua Presciliano Pita seguindo pelo cemitério dos alemães. O caminho continuava em direção à Federação passando pela estrada dois de julho, Rio Lucaia chegando até o dique . Todo esse território pertencia ao Conde Garcia D’ Ávila,  como a administração de todo o terreno não era tarefa fácil o conde vendeu ou doou as terras.
A região a principio era composta por quatro fazendas que mais tarde foram loteadas, Amaralina era a fazenda Alagoas. Fazia parte dessa área a chapada do Rio Vermelho, Pituba, Vale das Pedrinhas, Nordeste, areal e também o bairro de Santa Cruz no qual faz parte a rua 11 de novembro, que iremos tratar mais tarde. Essas fazendas pertenciam originalmente à sesmaria Ilha de Itaparica, mas com a falência do sistema de capitanias hereditárias, os nobres portugueses tomaram posses dessas terras, ficando essa região de posse do Conde Garcia D’ Ávila como já citamos anteriormente.
Parte da ocupação dessa área começou com pessoas que vieram trabalhar nessas fazendas e depois se converteram em empregadas domésticas, lavadeiras e caseiros que trabalhavam em casas de veraneio construídas no século XX nas imediações da praia de Amaralina, dessa forma  essas pessoas acabaram por se fixar nessas redondezas. Outra parte da ocupação foi feita por pescadores que foram se estabelecendo no local de acordo com o funcionário do Centro Social Urbano do Nordeste de  Amaralina, Almir Odun Ará. Ele afirma que o bairro atual que se constitui em Amaralina fazia parte da fazenda da família Amaral, cujo nome do bairro está relacionado a posição geográfica. De acordo com informações dele primeiro surgiu a Amaralina e depois se deu o povoamento mais intenso do Nordeste de Amaralina.

Invasões e a modernidade

Essas antigas áreas de exploração agrícola formadas pelos bairros da Santa Cruz, Ubaranas e Pituba formavam fazendas que estavam relacionadas á produção de alimentos. De acordo com relatos de Gisélia Castro dos Santos, uma das antigas moradoras do bairro de Santa Cruz, na região em que hoje é a Rua onze de novembro era um local que existia uma cocheira de bois que estava ligada ao fornecimento de leite para outros bairros, em outros locais também existiam o cultivo de hortaliças que eram revendidas ou serviam para o consumo próprio das famílias que ali residiam. Esses alimentos que eram produzidos nessas antigas fazendas ou roças seguiam para outros bairros pela antiga estrada da Federação, que hoje se constitui nas regiões que formam a Lucaia e o bairro de Vasco da Gama. Com a vinda da modernidade, os antigos produtores de alimentos ficaram restritos às áreas de sua produção.
Nesse mesmo período essas grandes áreas de exploração agrícola acabou sendo aos poucos revendidas em lotes a preço baixo ou ilegalmente invadidas formando uma urbanização desordenada formando as invasões. A área referente ao bairro de Santa Cruz começou sua ocupação nos anos 50 fazendo parte da segunda fase na evolução do Nordeste de Amaralina que foi dividida diversas vezes em pequenos lotes tendo vários proprietários e locatários. Logo depois se seguiram invasões coletivas por pescadores e suas famílias que foram expulsos de seus terrenos que estavam sendo retomados para a construção de loteamentos de luxo. De acordo com o blog da Associação de Moradores do Nordeste de Amaralina as ladeiras de Santa Cruz tornaram-se mais densamente povoadas, sobretudo entre 1968 e 1971, sendo que a ultima invasão coletiva a ser implantada até hoje é a invasão 7 de Agosto em 1977.
A região era formada por casas de taipa sem água encanada e energia elétrica, o Nordeste de Amaralina é considerado, nos dias atuais, como uma “ilha popular” entre vários bairros considerados como de alta renda e hoje tem um comércio forte e variado como principal fonte de renda de seus habitantes.



 A Rua 11 de novembro

      A rua onze de novembro se localiza entre os finais de linha da Santa Cruz, Vale das Pedrinhas e Nordeste. A rua começa na ladeira que sobe entre o Centro médico Salvador e o parque da cidade seguindo até a rua Francisco Sales. Possui um comércio bastante movimentado na área que abrange o final de linha da Santa Cruz, e é tão intenso que muitas vezes atrapalha o trafego de veículos trazendo transtornos para os moradores pois gera um intenso engarrafamento na saída e chegada dos ônibus do final de linha. O trânsito fica comprometido pois é grande a quantidade de veículos fazendo descarga de produtos para o comércio local formado por açougues, mercadinhos, farmácias, lojas de móveis além de igrejas e escolas que também se fazem presentes no local.
A rua também tem muitos sobrados, alguns bares que são bem frequentados nos finais de semana como o Boteco do Luis que antigamente era o chafariz da rua. O colégio Beneficente que atualmente se encontra fechado e que já foi uma antiga associação de moradores. A região se encontra bem pavimentada, iluminada, possui água,luz e rede de esgoto. Um problema que acontece é a questão da violência que não acontece na rua em questão mas sim em locais próximos e que de forma indireta influencia a vida dos moradores. Esse é um dos fatores que me fazem ter boas lembranças de como a rua era na época da minha infância, a questão da violência não atrapalhava tanto as brincadeiras e podia ficar na rua até altas horas que não tinha perigo, apenas dos carros de dia que passam rua acima e rua abaixo entre uma brincadeira e outra. Eram muitas brincadeiras e toda a vizinhança participava, na época nem se sonhava em computador, celular o que era bom mesmo eram as resenhas que iam até tarde e a lembrança de nossas mães na porta de casa chamando pra almoçar ou dormir por que já estava tarde. Observo hoje poucas crianças que se aventuram a brincar na rua nem sonham que naquele local já foi palco de muitas aventuras que hoje existem só na minha memória.
                           


Fonte: arquivo pessoal 



fonte: google imagens 29 nov 2018








    


















Comentários

  1. Bem assim.O tempo passa e ainda bem que temos tudo registrado na memória. Excelente texro, parabéns.

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  2. Ótimo texto,bem informativo. Uma viagem ao passado. Ainda bem que guardamos na memória as nossas histórias.

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  3. O texto me levou a rememorar a minha própria infância , os antigos vizinhos... alguns que se mudaram outros que já partiram e só estamos vivos na memória agora. E as transformações pelas quais não só a sua rua, mas em geral todas elas, e na agilidade diária não notamos as consequências boas e ruins que provocam em nossas vidas. Parabéns , muitos boas reflexões.

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  4. Prima, belíssima postagem. Texto suave e bem informativo. Parabéns!

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  5. Ótimo texto bem coerente bem explicativo e muito bom reviver o passado VC esta de parabéns

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  6. Este comentário foi removido pelo autor.

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    1. Aconteceu um.pequeno erro..

      Mas enfim!

      Gostei bastante em conhecer um pouco sobre um bairro tão vasto, com uma renda populacional considerável.
      Mesmo não ter tido a oportunidade de conhecer o bairro, achei o uso deste meio social, uma estratégia inovadora de falar sobre um bairro soterapolitano.
      Parabéns!

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  7. Que belissimo texto. Muito bem argumentado. Esta de Parabéns Alê. 👏🏾👏🏾 👏🏾👏🏾. Fez lembrar a minha infância.

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  8. Amei o texto eu não conhecia esse bairro. E hoje eu conheço a sua história. O blog está bem detalhista eu me senti dentro da sua história. Parabéns!!!

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  9. Perceptível suas considerações. Nesse viés a proposta pedagógica é fundamental, pois nos proporciona um paralelo do passado e das mudanças contemporâneas sobre o ambiente em que vivemos ou vivíamos. Gostei muito do seu blog e das lembranças que pontuou, também tive ótimas lembranças na construção do trabalho. Avante, afinal recordar é viver!

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