Entrevista Gisélia Santos (61 anos)
“Quando cheguei aqui era tudo mato em
mais ou menos 1958 ou 1959, toda região era de Joventino, essa parte da rua era
de tio Pedro. Não tinha luz a luz que tinha era de candeeiro. A luz quando
começou a chegar veio primeiro pelo Rio Vermelho, Pituba, os vivinhos chamavam
pai pra botar uma madeira em forma de uma cruz, fazia um buraco e ali colocava
a madeira e puxava a luz pra dentro de casa, ninguém pagava luz. A água pegava
da fonte, quando inaugurou a chegada da água fizeram um palanque no largo do
Teodoro e eu abri a torneira na época da inauguração, a empresa se chamava Saer. A empresa de telefone era Tebasa, era aqueles telefones preto, seu pai
viajava para as empresas e montava a central de telefone, a empresa era a
Ericson do Brasil. Aqui na rua se chamava Alto do Cruzeiro por que tinha uma
cruz na rua que no dia de finados vinha um padre celebrar a missa de finados,
tinha também um chafariz na rua. Lá pra cima era Alto dos coqueiros ou
coqueiral. Aqui tinha uma cocheira (fazenda) que fornecia leite e tinham hortas
também, acabou quando foi construindo as casas. Sua ao lavava roupa de ganho e
ia andando pelo maio dos matos lá pra Pituba, Rio Vermelho entregar a roupa.”
“Quando cheguei aqui era só mato,
tinham muitas hortas algumas tinham até flores, de seu Moacir, Gregório e
também a horta da finada Maria dos porcos. Eu lavava roupa de ganho, lavava 15
roupa de ganho e saia cada um levava uma trouxinha de roupa. Aqui tinha uma
lagoa que agente tomava banho, mexia na água pra pegar bobó. Tinha o areal que
dia de sexta feira o povo pegava areia e jogava dentro de casa pra ficar com o
chão bonito, subia e descia nesse areal embolando. Também pegava lenha no Costazul
pra botar no fogão a lenha, ia andando e hoje o povo não quer mais andar. Não
tinha água encanada, mas tinha aqui bem uma cinco fontes. E os filhos, tive
esses filhos todos aqui dentro de casa , hoje você não vê mais parteira só no
interior e mesmo assim tem que tomar curso.”


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